Programa de História Oral da Justiça Federal

 

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Recent Submissions

  • Entrevista com o Desembargador Federal Vladimir Passos de Freitas
    (Freitas, Vladimir Passos de; Lima, Jussara Maria Kircher; Simões, Mônica; Nunes, Ricardo da Silva, 2010)

    Nasceu em São Paulo (SP) e logo foi morar em Santos, onde despertou gosto pela natação, esporte que pratica até hoje. Entrou na faculdade com 17 anos. Optou pelo Direito por influência do irmão e de um tio. No início, não era um aluno dedicado, mas a partir do 3º ano, passou a dedicar-se mais. Era estagiário num escritório de Advocacia e antes de formado, já tinha vários clientes. Um advogado, assinava suas petições. Formou-se em 1968. Por influência familiar, fez concurso para Delegado de Polícia e para Promotor de Justiça. Passou no primeiro concurso, mas desistiu durante o curso de preparação em Brasília. Voltou para São Paulo e começou a estudar muito para ser Promotor. Passou no Paraná e depois em São Paulo. Trabalhou em Caraguatatuba-SP, durante 5 anos. Começou a se interessar pela Justiça Federal. Estudou por 2 anos para conseguir aprovação no segundo concurso de Juiz Federal que prestou. Já com 3 filhos pequenos, mudou-se para Porto Alegre, em 1979, onde atuou por um ano e meio. Depois, foi ocupar vaga em Curitiba, ficando até a sua vinda para o Tribunal. No Paraná, teve uma atuação marcada pela praticidade e agilização dos julgamentos. Em vista disto, foi designado para substituir em outros estados para acelerar a tramitação dos processos. Em Curitiba, fez Mestrado e deu aulas na Universidade Federal. Fez Muitas amizades ao longo do tempo. Foi grande incentivador da instalação da Vara de Londrina. Fez parte do primeiro mutirão da Justiça Federal organizado pelo Ministro Romildo Bueno de Souza. Em 1989, concorreu para o TRF 3ª Região, mas não foi escolhido. Mudou-se para Roma (Ítalia), com a família, para fazer um curso de pós-graduação. Voltou para o Brasil em 1991, sendo convocado para o TRF4. No TRF4, participou da banca dos concursos para Juiz Federal, propondo uma amenização do grau de exigência dos certames. Em vista do crescimento da Justiça Federal, esforçou-se para influenciar a criação de varas especializadas. No período em que esteve no TRF4, conheceu muitos juízes brilhantes. O Tribunal cresceu muito. A Justiça Federal interiorizou-se de forma efetiva e eficiente, não se dobrando a pressões políticas. Vladimir Freitas conta que sempre teve atividades paralelas à jurisdição, tais como associações de magistrados e produção de artigos e livros. Relata alguns casos em que proferiu setenças que lhe marcaram muito, não tanto pela importância jurídica, mas por serem casos curiosos e pitorescos. Seu interesse por Direito Ambiental começou na Infância. Também no período que era Promotor em Caraguatatuba, teve contado com muitas questões ambientais. Naquela época, Já se interessava pelo assunto, embora o assunto não tivesse o destaque que tem hoje. Em 1979, escreveu um artigo sobre o tema. Em 1980 publicou um livro e em 1991 fez mestrado. Conforme foi se interessando e debatendo mais sobre o Direito Ambiental, passou a ser chamado para falar em congressos e proferir palestras. Entende que hoje o Brasil é referência em Direito Ambiental para a América Latina. Sobre a sua experiência na Corregedoria, comenta que o corregedor ocupa uma posição difícil. Nunca está livre de desagradar algum juiz. Já o cargo de presidente lhe agradou muito, pois sempre gostou de administração da Justiça e havia se preparado para isto. Como presidente do TRF4, teve ousadia e criatividade , colocando em prática ações e iniciativas de sucesso, que "copiou" de outros orgãos públicos e empresas privadas. Investiu em ações voltadas à integração e melhoria da qualidade do ambiente de trabalho, responsabilidade social e agilização dos processos julgados. Em relação aos 20 anos do Tribunal, entende que a Justiça Federal atingiu um ponto de culminância. Agora, o desafio é manter-se neste ponto. Para isto, acredita que algo deve ser feito com muita criatividade e inteligência. Citou o atual acúmulo de processos nos juizados especiais federais. Acha que é preciso encontrar um novo modelo de justiça, para que problemas como a morosidade dos julgamentos sejam resolvidos. Aposentou-se em 2006. Sobre a ONG que fundou, IBRAJUS comentou que foi a maneira de fazer algo diferente, sem afastá-lo da justiça, podendo aproveitar sua experiência. Além disso, continua dando aula e ao mesmo tempo fazendo palestras e conferências sempre que é convidado.
  • Entrevista com o Desembargador Federal Nylson Paim de Abreu
    (Abreu, Nylson Paim de; Lima, Jussara Maria Kircher; Lima, Jussara Maria Kircher; Garcia, Camila; Nunes, Ricardo da Silva, 2010)

    Nasceu em 1936, em Capão Grande, no interior de Vacaria, aonde estudou até a 2ª série. Em sua infância trabalhou ajudando o tio que fazia consertos e instalações elétricas. Desde esta época interessava-se por mecânica. Em 1947, foi para a Lagoa Vermelha aonde fez o curso ginasial. Em vista de dificuldades econômicas da família em oficina mecânica, fazia e vendia canecas de lata de azeite, e ainda ajudava a vender os pastéis que sua mãe fazia. Aos 14 anos, começou a trabalhar em uma lojas de automóveis. Depois de 4 anos, foi convidado a trabalhar na Chevrolet. Lá tomou contato com as discussões políticas, as quais lhe despertaram o interesse. Assim como o seu pai, era partidário do PTB. Entrou no serviço militar em 1957, nesta época. Sentindo vontade e necessidade de estudar e trabalhar, mudou-se para Porto Alegre, aonde fazia o curso noturno para admissão ginasial e trabalhava de dia. Cursou o 1º ginasial em Porto Alegre. Recebeu convite para trabalhar em Lagoa Vermelha, com abertura recente de ensino noturno nesta cidade, aceitou o emprego e passou a estudar lá. Em 1960, envolveu-se em grandes discussões políticas e foi eleito líder estudantil. Participou da criação da ULES (União Lagoense de Estudantes), sendo eleito seu 1º presidente. Começou a envolver-se com partidos de esquerda, foi correspondente de um jornal de esquerda de SP. Fez amizades com vários líderes de esquerda. Em 1964, começaram as perseguições políticas. Foi preso em Lagoa Vermelha, sendo liberado após interrogatório que durou 1 semana. Passou em 1º lugar no Banco Nacional de Comércio, mas não foi aceito por ter sido preso político. Foi morar em Porto Alegre, conseguiu emprego para gerenciar estoques de mercadorias. Recebeu nova proposta de emprego em Erechim. Nesta cidade casou e terminou o curso técnico de Contabilidade. Começou a lecionar na Escola Técnica a convite de alguns professores. Passou no vestibular de Direito na Universidade de Passo Fundo. Durante o curso, teve que responder a processo relacionado à Lei de Segurança Nacional, o processo tramitou durante 5 anos e depois prescreveu. Enquanto que o processo não prescrevia, não pode prestar concurso público, passou a dedicar-se à advocacia. Passou a lecionar na Universidade Regional Integrada - URI. Foi consultor jurídico, professor e advogado ao mesmo tempo. Foi o único do RS aprovado no concurso para Procurador da Fazenda Nacional. Continuou advogando, enquanto atuava como Procurador da Fazenda Nacional. Prestou concurso para Juiz logrando aprovação. Durante o período em que estava se preparando para o concurso, estavam acontecendo em Brasília as discussões da Assembléia Nacional Constituinte. No Intervalo dos estudos, assistia às discussões. Lembra que antes disto já participara, como Presidente da Subseção da OAB em Erechim, do Congresso Pontes de Miranda, onde vários grupos temáticos discutiram temas constitucionais, tendo sido elaborado, em Porto Alegre, um modelo de Carta Constituinte que foi mandada para o governo. Este documento seguia a orientação do regime parlamentarista português. A atual Constituição traz a fusão do parlamentarismo com o presidencialismo. Já como Juiz Federal atuou simultaneamente nas Varas de Passo Fundo e Santo Ângelo. Comenta sobre esta época, relatando episódios envolvendo alguns processos que julgou. Em 1994, foi convocado para substituir no Tribunal e logo depois tomou posse como membro. Nylson Paim desenvolve alguns temas tais como a especialização, tanto nas turmas, quanto nas Varas. Esforçou-se para a formação da Seção previdenciária. Em 2001 foi eleito Vice-Presidente do TRF4. Entre 2003/2005 atuou no TRE-RS. Em 2005 foi eleito Presidente do TRF4. Em sua gestão como presidente, empenhou-se nas ações voltadas à agilização dos julgamentos. Criou as turmas suplementares, convocando juízes de 1º grau para auxiliar os julgamentos. Inaugurou turmas recursais nos três estados do sul. Concluiu o curso de especialização em Direito Internacional na UFRGS e Mestrado em Direito Constitucional na PUC-RS. Sobre a criação dos TRFs, ressaltou a importância para a Justiça Federal aos cidadãos que antes acabavam desistindo de recorrer aos seus direitos. Teceu alguns comentários a respeito da história da criação, extinção e reinstalação da Justiça Federal no Brasil.
  • Entrevista com o Desembargador Federal Osvaldo Moacir Alvarez
    (Alvarez, Osvaldo Moacir; Lima, Jussara Maria Kircher; Rinaldi, Tiago Klein; Nunes, Ricardo, 2010)

    Primeiro dia de entrevista 01/09/2008. Estudou no Colégio La Salle, em Canoas, formou-se como aluno laureado, foi orador da turma. Aos quinze anos, procurou trabalho em Porto Alegre. Seu primeiro emprego foi no consultório de Eguiberto Becker e João Carlos Becker (dentista) onde trabalhava como office boy, auxiliar de trabalhos diversos. Fez o curso clássico em Porto Alegre, preparação para o vestibular de Direito. Nesse período, aprendeu a dançar e passou a ler mais. Frequentava a Biblioteca Pública do Estado, lia literatura francesa na língua original. No escritório onde trabalhava tinha que tomar cuidado com os livros que trazia por que seus chefes eram muito religiosos e condenavam certas leituras. Em 1960, contrai tuberculose. José João de Medeiros, prefeito de Canoas/RS (1960-1963) e Hebert Carneiro Jung (formado em 1932) ajudam-no na recuperação. Somente aos 55 anos, volta a sofrer uma série de problemas de saúde como Mal de Parkinson, enfarto, diabetes, incontinência urinária. Em Março de 1959, inicia o curso de Direito na UFRGS. Durante o trote, Alvarez proferiu um discurso sobre a "importância da minhoca para o desenvolvimento do RS". Trabalhava como correspondente em Canoas/RS para o Jornal A Folha da Tarde. Parou a faculdade por um ano. Quando retornou ao curso, passou a estudar com uma nova turma, segundo ele, mais acessível, com quem se identificou mais. Durante a faculdade, vivia com poucos recursos, trabalhava como free-lancer na empresa jornalística Caldas Júnior. Tinha orgulho de trabalhar na mesma empresa de Mendes Ribeiro e Xico Stockinger, os quais encontrava com frequência na redação. Em 1964, foi vereador por Canoas/RS. Durante 10 anos (64/74) foi líder da bancada do PTB. Advogou por quinze anos (civilista e criminalista). Pedro Simon foi seu companheiro de Júri. Projetavam juntos, todo tipo de defesa de um caso. Os dois juntos nunca perderam um júri. Durante a Revolução Militar, listas eram publicadas em jornais cassando direitos políticos. Apesar de ameaças, os de Alvarez não foram cassados. Em 1974, Carlos Loureiro Giacomazzi, na época deputado estadual concorrendo à reeleição, convidou Alvarez para concorrer como deputado federal. No entanto, decide pelo fim da carreira política. Prestou concursos para o cargo de Promotor Público, Juiz Adjunto do Estado, Procurador da República, passou em todos mas não assumiu em função das atividades que desempenhava como advogado, muitas vezes atendendo clientes necessitados. Sente-se grato pelas ações que empreendeu como advogado. No concurso para Juiz Federal tirou nota 10 em redação de setença, depois de um período de 10 anos sem essa qualificação no concurso. Ficou em primeiro lugar. Teori Albino Zavascki, futuro colega no TRF, ficou em segundo. Teve pequenos problemas administrativos para assumir o cargo porque precisava de mais prazo para subestabelecer seus clientes. Quando na JF, passou a trabalhar em uma peça muito pequena. Eli Goraieb foi, muitas vezes, quem o aconselhou nas horas difíceis como Juiz Federal. Cita Hervandil Fagundes como um homem bondoso, apreciador de discussões ardorosas. Foi designado para conter a sublevação de marinheiros em Rio Grande. Em 1981, condenou a União pela tortura do preso político, antes do famoso caso Herzog. Ação ordinária declaratória, atuação da 2ª Vara Federal. Vítimas da Talidomida (Porto Alegre). Processo, delicado. Alvarez é nomeado para a 5ª Vara. Advogados da empresa o procuram. Reúne-se com as 2695 páginas do processo. Saneia o processo com despacho, nomeia perito, quando ao fim da análise, Alvarez é nomeado para outra vara. O Juiz Dória Furquim homologa o acordo. Invasão na Fazenda Annoni. João Annoni assina petição concordando com a invasão até segunda ordem. Alvarez solicita audiência pública com entrevista coletiva. No outro dia, a imprensa divulga amplamente o caso. Alvarez tira 15 dias de férias para sentenciar o processo. Desapropriação do Grupo Hospitalar Conceição. Como citar milhares de acionistas? Citação por edital. Dificuldades técnicas sanadas com criatividade. Lutou contra o desconto de previdência no salário dos trabalhadores aposentados. Mulheres eram proibidas de trabalhar como frentistas, Alvarez, por meio de um mandado de segurança pôs fim a esta proibição. Fez valer o direito das noviças, antes de se tornarem freiras, trabalhavam por anos, sem inclusão desse período na carteira de trabalho, não contando para fins de aposentadoria. Aposentou jornalistas que trabalhavam nas agências de notícias, mas não conseguiram esse período na carteira de trabalho. Numa sessão, na falta de secretário, teve que atuar como juiz e secretário. Sua referência no trabalho é Lenine Nequete, Juiz de Canoas/RS, dentre outras coisas, pela sua agilidade e inventividade. 2002- Teori Albino Zavascki, Desembargador Federal, Presidente do TRF4, convida Alvarez para presidir a Comissão do Prêmio Institucional. A vistoria pessoal da comissão era realizada uma tarde por equipe. Segundo dia de entrevista (04/09/2008). Processo Fazenda Annoni: "Não fui eu que julgou a ação. Era uma ação ordinária mas devia ser tratada como ação interrogatória. Precisa calcular quanto em dinheiro o governo devia pagar aos proprietários." Atuação como Diretor do Foro da JFRGS: Alvarez conseguiu três andares, além de outras peças, para a Justiça Federal. Por determinaço do Tribunal Federal de Recursos, Alvarez foi designado para a direção do Foro por Três anos (Na presidência, os Ministros José Dantas e Lauro Leitão). Durante este período, arrecadou de orgãos como INSS, Receita Federal, diversos tipos de materiais para escritório. Através de licitação, modificou toda a instalação vertical do Prédio Protetora, na época sede da JF. Durante a sua gestão houve um incremento no Arquivo-Geral, na Contadoria(1 funcionário para 7, no fim de sua gestão), na Biblioteca, que mudou de espaço e obteve aquisição de 600 novos títulos. Além disso, cada andar do prédio passou a contar com, pelo menos, uma máquina xeróx, e foi possível ampliar o espaço para execuções penais. Na 10ª Vara Federal de Porto Alegre não havia espaço suficiente para os processos que chegavam fazendo com que o Juiz Alvarez e a servidora Vanda Nogueira montassem estantes "medievais", chamando atenção para um problema estrutural pelo qual a Justiça Federal passava naquele momento. 26/10/1976- Detalhes do processo da Talidomida. Direção da vara em 1981. Preocupou-se com a limpeza de agravos em cima do processo. Quando saiu deixou o processo encaminhado. TRF4- Participação da Comissão de Instalação do TRF4. Presidente Eli Goraieb. Onde instalar o TRF4? Cada membro da comissão pesquisou prédios para ocupação para sugerir ao ministro. Alvarez sugeriu o prédio da Washington Luiz ao ministro, que gostou da sugestão e contatou, o então governador do Estado, Pedro Simon. Ministro Cid Flaquer Scartezzini buscou convencer o governador da importância de instalar o TRF4 na capital. Na época, três andares do prédio eram ocupados pelo IRGA - Instituto riograndense de Arroz. Além da desocupação, o governo deveria arcar com o pagamento mensal do condomínio. Corregedoria não é um orgão exclusivamente punitivo. Na sua atuação, Alvarez fazia questão de se deslocar até o lugar onde a crise havia acontecido, além de se desdobrar nas suas atribuições também como Vice-Presidente. Professores escrivães - foram eles que ensinaram a Alvarez o trabalho de cartório que havia de ser realizado por ele na sua profissão como Juiz Federal. Como Corregedor, não encontrou juízes difíceis, mas profissionais que queriam que suas idéias fossem ouvidas com respeito. Aprendeu com o Ministro Néri da Silveira o exercício da paciência, em ouvir os outros. Sempre optou por servidores concursados. Montou a Assessoria de Apoio aos Juízes,constituído pelo corregedor e mais dois assessores. Era um período de início do setor de jurisprudência, ainda não informatizado. Fábio Bittencourt da Rosa, quando assumiu a corregedoria no lugar de Alvarez, procurou o provimento da criação da assessoria, mas não havia nenhum por se tratar de uma iniciativa informal do corregedor com seus funcionários. Teresinha Abreu, servidora da Coordenadoria de Jurisprudência, hoje já falecida. Primeiro presidente da Comissão de Jurisprudência. Alvarez, Ari Pargendler e Fábio bittencourt da Rosa apresentam as primeiras súmulas. Atualmente, cria, junto com o seu professor de violão, composições e já elaborou trabalhos musicais em homenagem aos netos. Agradeceu aos funcionários com quem trabalhou.
  • Entrevista com o Ministro Carlos Mário da Silva Velloso
    (Velloso, Carlos Mário da Silva; Tiago, Dione; Anjos, Rita Helena dos; Magno, Alex, 2010)

    Aborda a primeira infância em Minas Gerais; os colégios que frequentou e sua predileção por esportes; o internato no Colégio Santo Antônio. Relata a influência do pai na escolha do curso de Direito e pela magistratura. Primeiro concurso realizado ainda durante o curso de Direito e após a conclusão para o Ministério Público de Minas Gerais. Exerceu a função de Juiz Seccional em Minas Gerais. Nomeado Juiz Federal em 1966, tomou posse em 1967, por indicação do Ministro da Justiça Milton Campos, ao então presidente Castelo Branco. Contou que, na versão do Ministro da Justiça o Presidente da República teria dito que o Curriculum era muito bom, mas que ele era muito jovem (30 anos), ao que o Ministro respondeu que "esse defeito o tempo corrige". A população tinha muita desconfiança em relação aos juízes nomeados. Achavam que eles estavam a serviço do Conselho Nacional de Segurança. A desconfiança só foi amenizada a partir da atuação dos juízes que começaram a deferir Mandados de Segurança contra um fiscal da Receita Federal que atuava de maneira arbitrária no Estado, com o tempo consolidou-se a independência da Justiça Federal em Minas Gerais. Começou a lecionar em 1968, associando a magistratura ao magistério, na UNA - Universidade de Negócios e Administração. Lecionou na PUC de Minas Gerais, sempre atuando na área de Direito Público; em 1975 fez concurso para a UFMG assumindo como professor auxiliar de Direito Constitucional. Em MG integrou o TRE em dois períodos distintos 69/71 e 73/75. Presidiu a maior desapropriação de terras que se fez no Estado, na década, que envolveu até a expropriação de terras de uma igreja, por onde passaria o ramal ferroviário que levaria minérios da Serra do Curral para o Rio de Janeiro. Em 1974 foi presidente da comissão apuradora das eleições parlamentares em Minas Gerais e fez a primeira apuração por computador. A contratada foi a IBM, e demorou cerca de 15 dias para totalizar os votos. Em 1976 foi nomeado Diretor da Faculdade de Direito da UFMG. Nomeado para o Tribunal Federal de Recursos em Dezembro de 1977; com apenas 41 anos. Ainda como Juiz Federal esteve convocado durante algum tempo no TFR, onde destacou um julgamento importante envolvendo a extinta SUNAB, no qual votou contra o governo. Em 1978 começou a lecionar na UNB. Fez parte da primeira composição do STJ, onde assumiu em 1989. Fez parte da composição do Conselho da Justiça Federal em 1980/81 e 1981/83, onde presidiu diversas comissões de concurso de juízes federais. Presidiu a Comissão de Regimento Interno do STJ, que elaborou o primeiro Regimento Interno. Em 1990 assumiu no STF. Indicado pelo Vice-Presidente Itamar Franco ao Presidente Collor. O que não interferiu em sua independência política nem de indeferir todos os Mandados de Segurança de Fernando Collor. Compôs o TSE como Corregedor-Geral indicado pelo TFR e posteriormente - em 1994/96, representando o STF. No período de 1994 a 1996 presidiu o TSE - época em que foi criada a urna eletrônica. Retornou ao TSE em 2003/2006. Presidiu em 2005 o "Referendo das armas". Na presidência do TSE, em 2005, realizou diversas viagens ao exterior para divulgar a urna eletrônica brasileira - visitou os EUA, França, Ucrânia e Romênia. É contrário ao financiamento público de campanhas, por entender que ele já existe, sob a forma do horário para propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, que é retribuído às empresas sob a forma de incentivos fiscais e também pelo fundo partidário. Considera a legislação penal brasileira muito liberal, sendo favorável a uma revisão da legislação penal. Afirma que no STF era considerado sic. "mão-pesada". Considera a Reforma do Judiciário de 2004 muito tímida. O maior problema da Justiça Brasileira é a lentidão e o CNJ deveria cuidar disto. Como última mensagem diz que "vale a pena ser juiz".
  • Entrevista com o Juiz Federal Ivo Tolomini
    (Tolomini, Ivo; Bolzan, Analice; Nunes, Ricardo; Fernandes, Fernanda Lídice Francisquini; Girardi, Priscila, 2010)

    Natural de Giruá (RS) residiu por algum tempo no Rio de Janeiro e também em Brasília. Após a magistratura, pediu remoção para Santa Catarina, a fim de proporcionar maior qualidade de vida à sua família. Seu primeiro trabalho como bacharel em Direito foi de assessor judiciário no Superior Tribunal Militar. Depois se tornou advogado do BC, mediante concurso público, e por volta de 1987 prestou concurso para a magistratura - o último organizado pelo extinto Tribunal Federal de Recursos. Iniciou no RJ, como Juiz Auxiliar, onde se deparou com os processos de desapropriação, de invasão de propriedades da União. Eram processos antigos, que não permitiam um julgamento no pouco de tempo em que lá atuou. Pediu a desejada remoção para Florianópolis, vindo atuar na 3ª Vara Federal. Com a promoção dos Juízes do PR, RS e SC pelo TRF da 4ª Região, diminuiu o número de magistrados em exercício. Havia quatro varas na capital e quatro no interior do estado, o que permitia uma maior proximidade da população e um desafogamento da Justiça Estadual. Durante essa introdução da Justiça Federal no interior do Estado, a prefeitura e os orgãos federais cederam servidores, que contribuíram com a sua mão de obra e devoção, em conjunto com os novos servidores concursados. Com relação ao período em que esteve frente à direção do foro, admite não ter muita afinidade com funções puramente administrativas, mas reconhece como um trabalho necessário e de grande importância. Um desafio na direção do foro foi a criação do STJ e dos TRF. Lembra da inviabilidade da antiga sede da justiça, no prédio do Tribunal Federal de Recursos. Somada ao risco de incêndio, uma visita do presidente do STJ, alarmou para a necessidade de mudança de prédio. Sua administração buscou então um novo prédio e fez a mudança de prédio-sede da JFSC. Ainda na direção do foro, buscou a capacitação dos servidores. Como muitos trabalhadores daqui foram convocados para o Tribunal, que estava em formação, houve uma redução dos recursos humanos. Isso ocorria paralelamente ao Plano Collor, gerador de uma grande demanda de ações. O Tribunal da 4ª Região, ciente das necessidades que despontavam, realizou concurso, que trouxe pessoas extremamente qualificadas, que representaram uma contribuição significativa para administração e distribuição da justiça e para um melhor atendimento à comunidade. O episódio do Plano Collor é um exemplo de como a justiça reflete o momento da sociedade. O poder judiciário é o último recurso para o cidadão resolver seus conflitos. Hoje, é criticado pela tardança na entrega judicial. Mas o Juiz lembra que presenciou demora ainda maior numa época em que os recursos não permitiam maior agilidade. As varas tinham competência em todas as matérias e os juízes tinham competência civil e criminal - o que lhes tornava o tempo escasso. Era preciso fazer análise, redigir manualmente as setenças, o Juiz não dispunha de assessoria, precisava ir à biblioteca. Por volta de 1991-93, atuou no TRE, fase que foi bastante proveitosa porque os juízes então já tinham assessoria. Isso fazia diferença no prazo e na qualidade das decisões. Nesse período participou dos testes com as urnas eletrônicas, projeto em que se destaca o pioneirismo de Santa Catarina. Ainda serviu no TRF durante seis meses. Uma experiência que coloca como enriquecedora e dignificante de qualquer magistrado que seja convocado. Enfatiza também o lado banéfico do contato com o Tribunal, por se tratar de uma decisão do colegiado. Sua aposentadoria foi voluntária, mas não espontânea. Fez essa opção com o propósito de cumprir seus compromissos financeiros com a família. Abriu então um escritório onde advogou com sua filha. Em contrapartida à visão de uma filha encaminhada, teve a infelicidade de assistir ao falecimento de outra, devido a uma hepatite autoimune. Hoje busca conforto na religião - foi Juiz do Tribunal Eclesiástico, Ministro da Sagrada Comunhão e agora atua como Ministro da Palavra. A respeito dos novos juízes, opina que a JFSC recebe elogios de todas as classes sociais em termos de prestação de serviços jurisdicional. Isso se dá graças ao preparo e devotamento dos juízes e também à dedicação dos servidores. Aponta como principal obstáculo o grande número de demandas que afloram diariamente. Sente que fez o melhor que pôde em sua carreira, não deixando de reconhecer suas próprias limitações. E afirma, ainda, que sua realização profissional aconteceu na Justiça Federal, nos oito anos em que nela laborou. Vê com bons olhos o Projeto de Memória Oral, a busca pela história da justiça, e aproveita para cumprimentar com louvor todos os colegas que foram trabalhar no interior e também servidores que venceram desafios - e que continuam vencendo.